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Por: Fláudio Azevedo Limas (*)

FLAUDIO   Nesta semana, o jornal O Estado de S. Paulo entrevistou a ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na mesma semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março), nada melhor do que entrevistar a mulher que tem poderes de investigação. Agora, ela faz planos para reorganização dos setores de precatórios, com o objetivo de garantir os pagamentos e impedir a corrupção de juízes e de tribunais dos Estados.

   Corajosa, dirige seu próprio carro, não anda com segurança (acredito mais no salto do meu sapato), e não aceita mordomias. “Muita vezes um juiz quer uma mordomia para mostrar aos outros que ele é importante. Quem é autoridade e tem o poder de dar e tirar a liberdade. Tem que ser simples”, ressalta a juíza.

Nascida na Bahia, onde Antonio Carlos Magalhães imperava, Eliana diz que é verdadeira a informação de que o ex-governador mandava na Justiça do estado. “Mandava inclusive nos desembargadores, menos da Justiça Federal. O presidente do Tribunal Eleitoral chegava a dizer: "O cabeça branca mandou decidir dessa forma". Isso eu vivi, briguei e fiquei isolada. Mas sobrevivi porque sou a marca dos desafios, né? Riam de mim. Mas sempre fui "brigona".

E nesta quarta-feira (7), em Belo Horizonte, voltou a fazer duras críticas ao sistema judiciário: alertou que as varas de defesa da mulher estão abandonadas em todos os tribunais de Justiça do país. Segundo ela, toda a primeira instância da Justiça brasileira está sucateada. Mas são as varas especializadas em processos de violência doméstica contra a mulher as mais afetadas. "As varas Maria da Penha sofrem muito. O que depende só do juiz ele faz. Mas o que depende de apoio logístico nem sempre é feito", afirmou em referência à estrutura necessária para o funcionamento dessas varas previstas na Lei Maria da Penha.

Ao mesmo tempo em que é aguerrida em sua luta por justiça e menos corrupção, a ministra concilia a profissão com o papel de mãe, avó, sogra. “Minha personalidade forte assusta as pessoas. E isso é ruim porque as pessoas não me veem como uma pessoa que tem fragilidades, elas me veem sempre como alguém que pode dar guarida, mas não pode fraquejar”, relata.

Cada ano fica marcado por fatos histórico e classifico que a marca de 2010 foi a escolha da primeira mulher para presidir o país, a companheira Dilma Rousseff. Em 2011, a atuação determinante foi o papel desempenhado pela ministra e corregedora Calmon, que rompeu barreiras da não haver fiscalização do Poder Judiciário.

A atuação da ministra Eliana Calmon, como corregedora, é a mais verdadeira em prol da garantia da democracia. Ninguém pode ficar isento de fiscalização e a ministra está desempenhando um trabalho inédito e brilhante no país. Um exemplo de mulher.

Mas, apesar de ser considerada uma mulher à frente da sua época, a ministra ama cozinhar e é autora do livro Receitas Especiais, na sua nova edição. Mas ela se defende. “Cozinhar é uma química. Fala-se que, quando um começa a mexer a panela, o outro não pode pôr a mão. Já tive essa experiência, e não pode mesmo. Quando desanda, não há força humana que faça voltar ao ponto”, brinca. Enfim, ela mantém com proeza a delicadeza da mulher e a força do trabalho em prol de um país verdadeiramente democrático.

(*) Fláudio Azevedo Limas, nascido na Bahia, professor de história, diretor da Apeoesp e vereador em Itapevi pelo PT

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