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Operação da Sabesp para reduzir perdas também leva à prisão de homem que se fazia passar por funcionário e ameaçava comerciantes

O proprietário de uma churrascaria na República, centro de São Paulo, foi preso em flagrante ao ser detectada uma fraude no hidrômetro. O restaurante adulterava o equipamento, fazendo com que ele medisse um consumo menor do que realmente havia acontecido.

Outro fraudador, que se passava por funcionário, também foi preso ao sair de casa, em São Miguel (zona leste de SP). Ele coagia comerciantes com a cobrança de falsas contas atrasadas.

Os flagrantes fazem parte das operações caça-fraude da Sabesp. Desde maio, a companhia intensificou também a investigação sobre os agentes fraudadores - ou seja, pessoas que ensinam e/ou praticam a irregularidade.

No caso da churrascaria, a equipe da Sabesp foi ao local na última terça-feira (31 de julho) após verificar que o consumo de água estava muito baixo para o tipo de estabelecimento. No mês de abril, por exemplo, a medição apontou o uso de 38 mil litros, quando o consumo esperado era de 180 mil litros mensais. Nos últimos meses, a média faturada vinha sendo de 70 mil litros.

O local onde fica o hidrômetro ficava trancado com cadeado. A equipe da Sabesp pediu a abertura da tranca, mas o proprietário disse que não tinha a chave. A companhia acionou, então, o Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado). Com a presença dos policiais da 3ª Delegacia do Patrimônio, o dono abriu o cadeado com a chave e a fraude foi comprovada. O proprietário foi indiciado e liberado após pagamento de fiança. Responderá pelo crime de furto e poderá ser condenado a até quatro anos de prisão. Agora a Sabesp vai calcular quanta água foi consumida e quanto esgoto foi gerado e cobrar a dívida.

Já o fraudador que se fazia passar por funcionário visitava comércios na zona leste da capital e na Grande São Paulo dizendo que o estabelecimento estava com contas atrasadas. Ele também exigia o pagamento do valor direto para ele. As falsas vistorias aconteciam em horários de grande movimento.

Vítimas da extorsão começaram a denunciar o caso à Sabesp. Com o apoio da polícia, a casa do fraudador, em São Miguel, foi identificada. Ele foi detido às 5h15 desta quarta-feira (1º de agosto), ao sair do imóvel. Indiciado por estelionato, o fraudador continua preso.

Balanço de fraudes
Em 2011, a companhia realizou 218 mil vistorias na Região Metropolitana de São Paulo. Foram detectadas 23.572 fraudes, com um desvio total de 4,4 bilhões de litros de água consumida e esgoto coletado. Esse volume é o equivalente ao consumo de 34 mil pessoas - a população de uma cidade como Aparecida ou Barra Bonita. Os fraudadores foram acionados pela Sabesp.

A fraude prejudica o meio ambiente e a população. Quem a comete não se preocupa com o desperdício da água, que pode fazer falta para os demais moradores.

Redução de perdas
As operações caça-fraude fazem parte do Programa de Redução de Perdas de Água, que a Sabesp executa nas 363 cidades atendidas. Até 2016 serão trocados 875 mil ramais prediais, 674 km de redes de água e 1,6 milhão de hidrômetros. Serão também pesquisados os vazamentos invisíveis em 150 mil km de redes, o que significa percorrer toda a tubulação existente por mais de duas vezes.

Para executar o programa, a companhia assinou em fevereiro deste ano um financiamento inédito de US$ 440 milhões com a agência de fomento do governo japonês, a Jica. Além desse empréstimo, serão utilizados recursos da própria Sabesp e do BNDES. No total, serão investidos R$ 1,9 bilhão.

O programa é essencial para o melhor aproveitamento da água dos mananciais, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo. A chamada disponibilidade hídrica da Grande SP é de 146 mil litros por habitante por ano. A ONU recomenda 2,5 milhões de litros/habitante/ano. A disponibilidade da Grande SP é inferior à de regiões do Nordeste brasileiro e à do deserto do Saara.

(Assessoria de imprensa da Sabesp)

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